Aumento do uso de Mounjaro e Ozempic no pós-parto gera alerta médico
O uso de Mounjaro e Ozempic cresce entre puérperas. Médicos alertam sobre riscos. Saiba mais.
A procura por medicamentos como Mounjaro e Ozempic entre mulheres no pós-parto tem crescido substancialmente, acendendo um sinal de alerta entre médicos. Essa tendência foi identificada em um estudo publicado na revista JAMA, que avaliou o uso de agonistas do receptor de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, por puérperas em busca de emagrecimento rápido após a gestação.
Realizada por pesquisadores da Dinamarca e do Canadá, a pesquisa compilou dados de mais de 382 mil gestações entre 2018 e 2024. Os resultados mostram um aumento expressivo no uso dessas medicações. Enquanto em 2018 o registro era de menos de cinco mulheres a cada 10 mil partos, em 2024 esse número disparou para 173 usuárias. Em dezembro de 2022, a Dinamarca autorizou a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, para o tratamento da obesidade, o que facilitou ainda mais o acesso ao medicamento.
Médicos brasileiros, como o endocrinologista Carlos André Minanni, já notaram um crescimento na demanda por esses medicamentos. “Observamos um aumento significativo na procura, tanto por mulheres que já tinham sobrepeso antes da gestação quanto por aquelas que estavam na faixa de peso considerada normal”, explica Minanni. Os motivos para essa busca incluem desconforto com a própria imagem, ansiedade sobre a recuperação do peso original e pressões sociais que impõem padrões estéticos.
O período pós-parto é reconhecido por sua vulnerabilidade emocional e física. Entretanto, a prática de recorrer a medicamentos para emagrecimento pode esconder problemas mais profundos, como depressão pós-parto ou transtornos alimentares. “É preocupante que a medicalização rápida do peso se torne uma solução para questões psicológicas e emocionais que devem ser tratadas de forma apropriada”, alerta o endocrinologista.
Ainda há incertezas sobre os efeitos da semaglutida e liraglutida durante a amamentação. Pequenos estudos indicam que a semaglutida não passa para o leite materno em quantidades mensuráveis, mas isso não garante a segurança do uso. Além dos efeitos colaterais já conhecidos, como náuseas e diarreia, também existem preocupações com a possibilidade de complicações mais graves, como pancreatite e colecistite.
É crucial que as mulheres no puerpério sejam tratadas com empatia e apoio, ao invés de simplesmente serem desencorajadas a usar esses medicamentos. “Reconhecer as queixas e dificuldades sem apressar o acolhimento é essencial para ajudar essas mulheres a entenderem que esse é um momento transitório de adaptação”, conclui Minanni.
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