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Junho registra chuva acima da média no Sul de Minas

Junho de 2026 trouxe chuvas acima da média no Sul de Minas. Entenda as causas e previsões para o próximo mês. Acompanhe as novidades!

Por Redação NCB Publicado 01/07/2026 às 18h27 Compartilhar:

 

O mês de junho de 2026 finalizou com um padrão climático atípico no Sul de Minas. Tradicionalmente caracterizado por baixa umidade e tempo seco, esse ano apresentou um cenário distinto, marcado pela passagem constante de frentes frias e áreas de instabilidade, que resultaram em um aumento significativo do volume de chuvas na região. Dados coletados pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostraram que a região registrou, em média, 183,8% do volume esperado para o mês, quase dobrando a média histórica.

De acordo com o levantamento, 90% das cidades do Sul de Minas tiveram chuvas acima da média histórica em junho. Das 164 cidades avaliadas, 148 apresentaram volumes de chuva superiores a 100% da média histórica, enquanto apenas 14 cidades ficaram abaixo do esperado e duas registraram exatamente a média histórica.

Precipitações inesperadas

Entre os municípios que mais se destacaram, Varginha foi um dos que surpreendeu, ocupando a segunda posição no ranking estadual ao registrar mais de três vezes a quantidade de chuva normalmente esperada para junho. Outros municípios que também tiveram um desempenho significativo incluíram Itajubá (254% da média), Alfenas (211%), São Lourenço (196%), Pouso Alegre (182%) e Poços de Caldas (121%).

Por outro lado, Lavras foi uma das exceções, acumulando apenas 17 milímetros de chuva, o que corresponde a 89% da média histórica. Guapé e São Tiago foram os únicos municípios que atingiram exatamente a média esperada, com acumulados de 18 e 19 milímetros, respectivamente.

Causas do clima atípico

O climatologista Paulo Henrique de Souza, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), atribui esse desvio climático à combinação de mudanças climáticas e à ação do fenômeno El Niño. Segundo ele, com o super El Niño deste ano, houve um aumento na evaporação das águas do Oceano Pacífico, próximo ao Peru e ao Equador. Essa situação alterou os padrões de circulação atmosférica, resultando em um céu mais úmido e temperaturas oceânicas mais elevadas do que em qualquer outro momento registrado. A formação de ciclones extratropicais, alimentados por essa umidade, favoreceu a elevação da pluviosidade na região.

Além do incremento na quantidade de chuvas, junho também foi marcado por frequentes ondas de frio no Sul de Minas. O climatologista explicou que a nova circulação atmosférica propiciou a chegada de massas de ar polar sem perder força, fazendo com que essas frentes frias chegassem com características similares às observadas na Argentina, o que contribuiu para a queda das temperaturas na localidade.

Expectativas para julho

Com um junho atípico, a expectativa para julho é de que o clima seja mais próximo da normalidade. Paulo Henrique antecipa que o mês deve se caracterizar por precipitações e temperaturas alinhadas com a média histórica. “Não devemos repetir o comportamento observado em junho. As projeções pontuam para um mês com padrões mais habituais”, declara.

Contudo, ele alerta que a situação climática atual, marcada por oceanos excepcionalmente quentes, deve provocar desequilíbrios atmosféricos, gerando uma nova realidade em que episódios de condições climáticas extremas se tornarão cada vez mais frequentes. “Infelizmente, essa tendência de instabilidade climática deve se intensificar nos próximos anos”, conclui o especialista.

Resumo

    • Fato: Julho deve ter clima mais próximo da média após junho chuvoso.
    • Onde: Sul de Minas – MG.
    • Impacto: Aumento das chuvas e ondas de frio estão ligadas a mudanças climáticas e à atuação do El Niño.

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