EconomiaSul de Minas

Pesquisa mapeia terras agrícolas abandonadas no Cerrado mineiro

Uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de Brasília (UnB) com o uso de inteligência artificial (IA) mapeou terras agrícolas abandonadas no Cerrado, que podem passar por processos de restauração ambiental. A partir de imagens de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), a pesquisa utilizou a tecnologia de aprendizado profundo (deep learning) para que a IA fosse capaz de reconhecer padrões que identificam essas áreas.

Identificação de áreas abandonadas

O estudo analisou terras agrícolas do município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, que faz parte do bioma Cerrado. Pelas imagens de satélite, a IA conseguiu classificar vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais, plantações de eucalipto e, de forma inédita, áreas agrícolas abandonadas.

A precisão da análise alcançou 94,7%, um indicador “considerado excelente” para classificações de uso da terra com sensoriamento remoto. Pesquisadores da Embrapa e da UnB publicaram artigo com os resultados na revista científica internacional Land, especializada em temas como terras, água e clima. O texto recebeu o título Putting Abandoned Farmlands in the Legend of Land Use and Land Cover Maps of the Brazilian Tropical Savanna (Incluindo Terras Agrícolas Abandonadas na Legenda de Mapas de Uso e Cobertura da Terra da Savana Tropical Brasileira, em tradução livre).

Restauração ecológica

Uma vez identificadas as áreas agrícolas abandonadas, os analistas da Embrapa e da UnB sustentam que os dados podem servir de subsídio para formuladores de políticas públicas voltadas à área ambiental. “Esses mapas podem auxiliar órgãos governamentais, planejadores ambientais e proprietários rurais a priorizar áreas para reabilitação, incluindo plantações de eucalipto degradadas e pastagens de baixo desempenho”, escrevem no artigo.

O analista da Embrapa, Gustavo Bayma, ressalta que os mapas detalhados de áreas abandonadas demonstram o potencial das tecnologias de IA para apoiar políticas públicas de restauração ambiental. Ele sugere, por exemplo, o uso das informações para estratégias de estimativa do potencial de sequestro de carbono da atmosfera, já que áreas verdes ajudam a reduzir a concentração do dióxido de carbono, uma das causas do aquecimento global. Outra utilidade seria orientar a criação de corredores de restauração ecológica no Cerrado.

Dados do abandono

As imagens de Buritizeiro foram usadas para comparar dados de 2018 a 2022. A IA constatou que mais de 13 mil hectares ─ área equivalente à cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro ─ foram abandonados no intervalo. Essa dimensão equivale a 4,7% da área agrícola original da cidade mineira. Das terras abandonadas, 87% correspondiam a antigas plantações de eucalipto destinadas à produção de carvão vegetal.

De acordo com o pesquisador Edson Sano, da divisão Cerrado da Embrapa, a região é caracterizada por desafios produtivos, como baixa produtividade em pastagens durante períodos secos e custos crescentes de insumos fertilizantes. “A predominância do abandono em áreas de eucalipto está associada à queda da atratividade econômica da produção de carvão vegetal, em função de fatores como o aumento dos custos e a concorrência de outras fontes de energia”, explica.

Perguntas Frequentes

1. Quais são os principais objetivos da pesquisa?

O principal objetivo é mapear terras agrícolas abandonadas no Cerrado para orientar políticas públicas de restauração ambiental.

2. Que tecnologias foram utilizadas no estudo?

A pesquisa utilizou inteligência artificial e imagens de satélite da Agência Espacial Europeia.

3. Qual a importância de restaurar áreas agrícolas abandonadas?

A restauração destas áreas pode ajudar na recuperação da biodiversidade, sequestro de carbono e melhoria da qualidade ambiental.

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