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Maus-tratos em clínica psiquiátrica chocam ex-pacientes

Ex-pacientes denunciam maus-tratos em clínica em Alfenas. Investigação do MP revela horror. Conheça os detalhes deste caso.

Por Redação NCB Publicado 23/08/2026 às 16h27 Compartilhar:

Denúncias de maus-tratos e condições degradantes em uma clínica neuropsiquiátrica em Alfenas, no sul de Minas Gerais, têm gerado uma onda de indignação entre a população e as autoridades locais. Relatos de ex-pacientes apontam para abusos severos, revelando um quadro alarmante que levou o Ministério Público a realizar uma operação na instituição. As graves acusações incluem sequestro, cárcere privado e até um caso de estupro envolvendo adolescentes.

Durante a operação, realizada nesta semana, os investigadores do Ministério Público encontraram sete homens, com idades variando entre 27 e 48 anos, vivendo em condições extremamente precárias. Os pacientes estavam confinados em cômodos onde havia fezes espalhadas pelo chão, indicando uma total falta de cuidado e higiene. Os ex-internos relataram que foram submetidos a agressões físicas e humilhações, ilustrando um quadro desesperador.

Relatos de Violência e Humilhação

Um dos ex-pacientes descreveu sua experiência como “tratamento igualzinho de animal”. Segundo ele, as agressões eram rotineiras e as condições de vida, inaceitáveis. “Tiraram a minha roupa, me tacaram num quarto com a porta maciça. Nesse quarto tinha fezes, tinha urina, e eles me espancaram”, afirmou em seu depoimento. A brutalidade da situação foi corroborada por outros relatos, que falam de episódios em que a comida era jogada no chão, obrigando os internos a se alimentarem em meio a sujeira.

Uma preocupação adicional surgiu com uma denúncia feita ao Conselho Tutelar sobre um suposto caso de estupro que envolvia dois adolescentes internados na clínica. Um dos adolescentes já foi retirado do local, enquanto o outro ainda permanece na instituição. “Foi uma situação bem complicada. Esse outro menino está lá ainda e a gente está vendo o que vai fazer para ajudar”, disse Valéria Aparecida da Silva, conselheira tutelar.

Ambiente Insalubre e Negligência

A realidade dos internos na clínica é alarmante. Em média, 24 adolescentes estão internados, compartilhando espaços com adultos que tratam dependências químicas e transtornos psiquiátricos. Essa mistura gera um ambiente caótico e insalubre, com os pacientes recebendo atendimentos inadequados, como apontam os ex-internos em suas denúncias. A falta de profissionais qualificados e a superlotação vêm sendo uma constante na clínica ao longo dos anos.

Gabinete de Crise em Resposta às Denúncias

Em resposta à repercussão dessa situação caótica, o Ministério Público, em parceria com a Prefeitura de Alfenas, estabeleceu um gabinete de crise para acompanhar a situação dos pacientes. O foco é garantir a segurança e a dignidade dos que foram internados na clínica e assegurar que os que necessitam de tratamento sejam encaminhados adequadamente para instituições que ofereçam as condições necessárias.

As denúncias contra a clínica não são novas. Um caso relatado em 2008 já apontava possíveis maus-tratos e insuficiência de profissionais de saúde. Mais recentemente, em 2024, uma família denunciou a clínica de negligência após a morte de um adolescente que havia sido internado lá. “Foi muito triste, foi um baque que a gente não consegue até hoje. Quando eu vi a reportagem, foi muito forte, porque na época eu tive que fazer um tratamento psicológico”, relatou Marli Martins da Silva, avó de um adolescente que faleceu após a internação.

Repercussões e Expectativas por Justiça

Os relatos dos ex-pacientes que vivenciaram essas experiências terríveis geram uma esperança de mudança. “Tomara que feche mesmo e que seja feita a justiça. Você pagar para uma clínica R$ 4 mil e ser torturado, não ter nem as condições básicas de higiene, é muito ruim”, declarou um dos ex-internos, mostrando a insatisfação e a desesperança diante de uma situação que deveria zelar pela saúde e bem-estar dos pacientes.

O médico responsável pela clínica, Bahjat Mohamed Ahmed Ali Hammad, foi preso durante a operação, mas acabou sendo liberado no mesmo dia. A investigação continua, enquanto as autoridades buscam respostas para os muitos questionamentos que surgem desse caso chocante. Os pacientes que estavam em situação semelhante a de quem foi encontrado nas condições deploráveis estão agora sendo transferidos a outras instituições.

Resumo

    • Fato: Denúncias de maus-tratos e condições degradantes em clínica neuropsiquiátrica.
    • Onde: Alfenas – MG.
    • Impacto: Criação de um gabinete de crise e movimentação para transferir pacientes.

A situação gerou uma mobilização significativa entre as autoridades locais e os órgãos competentes, buscando a responsabilização por esses atos e garantindo que a justiça seja feita. Neste momento crítico, é essencial acompanhar o desenrolar das investigações e assegurar que os direitos dos pacientes sejam respeitados.

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