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Reações a boicotes a comerciantes no Sul de MG

Após eleições, publicações pedem boicotes a comércios no Sul de MG. Veja as reações do MTE e da OAB.

Por Redação NCB Publicado 28/10/2026 às 17h33 Compartilhar:

A publicação de listas que pedem boicotes a comerciantes e ameaçam demissões de eleitores descontentes com o resultado das eleições geraram ampla repercussão no Sul de Minas. Os alertas focam especialmente nas postagens que visam retaliar aqueles que teriam apoiado o presidente Lula (PT). O cenário preocupante levou a manifestação de políticos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Após a vitória de Lula no segundo turno, o petista obteve um aumento significativo na votação nas 162 cidades do Sul de Minas. O número de votos subiu de 609.721 para 768.602, uma diferença de 158.881 votos a mais. Esse crescimento, no entanto, desencadeou uma série de atos hostis que agora estão sendo investigados pelas autoridades.

Listas de boicote

Após a eleição, começaram a circular listas em grupos de WhatsApp com os nomes de comércios e prestadores de serviços associados a eleitores que apoiaram Lula. Essas postagens incentivam consumidores a não frequentar os estabelecimentos listados, além de sugerirem que empresários demitam funcionários que votaram nele. Essa prática gera um clima de tensão e insegurança no ambiente de trabalho.

Denúncias ao MTE

O Ministério do Trabalho e Emprego de Minas Gerais recebeu, até o dia 27 de outubro, 240 denúncias de trabalhadores que relataram ameaças de demissão em decorrência das opiniões políticas manifestadas durante o período eleitoral. Segundo Carlos Calazans, superintendente do MTE em Minas Gerais, a maioria das denúncias provém do Sul de Minas, do Triângulo Mineiro e da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Calazans classificou esse tipo de assédio como uma violação grave e um crime. “Estamos acionando o Ministério Público, a Justiça do Trabalho e a Justiça Comum para punir esse tipo de crime, que, convenhamos, não tem menor cabimento,” declarou. O órgão também se comprometeu a proteger os trabalhadores que denunciam essas situações e solicitou às plataformas digitais a remoção de conteúdos que promovem boicotes e intimidações.

Reação da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nas subseções de Passos e Muzambinho se manifestou contrária a essas listas de boicote e iniciativas que visem intimidar comerciantes por diferenças políticas. Ambas as subseções destacaram a importância da liberdade de expressão como um dos pilares da democracia, mas lembraram que isso não deve servir como justificativa para a violação de direitos alheios.

A OAB de Passos, em nota, afirmou que está preocupada com ações que ultrapassem limites razoáveis e que podem resultar em constrangimentos e retaliações injustificadas. “Dependendo das circunstâncias, algumas condutas podem acarretar responsabilidade civil ou criminal. Contudo, essa avaliação deve ser feita caso a caso,” ressaltou.

Apoio e apelos à população

A OAB de Muzambinho também repudiou as ações de boicote e intolerância, pedindo que a população busque o diálogo e o respeito mútuo, enfatizando que a convivência pacífica e a aceitação das diferenças são fundamentais para a democracia e para a sociedade.

Os vereadores Diney Lenon e Tiago Mafra, ambos do PT, também tomaram providências. Eles procuraram a delegacia da Polícia Civil para esclarecer como proceder em relação às ameaças e listas de boicote que circularam em Poços de Caldas. Tiago Mafra orientou que devem ser coletadas provas das postagens e que um boletim de ocorrência deve ser registrado.

Consequências e implicações

A divulgação de listas de boicote e as ameaças de demissões ressaltam um clima de tensão e polarização política no Sul de Minas. Enquanto as instituições se mobilizam para coibir essas práticas, as preocupações com os direitos trabalhistas e a liberdade de expressão continuam a dominar o debate público. As reações dos órgãos competentes refletem uma tentativa de restaurar um ambiente de respeito e civilidade após um período eleitoral acirrado.

Resumo

    • Fato: Circulação de listas de boicote a comerciantes no Sul de Minas após eleições.
    • Onde: Sul de Minas – MG.
    • Impacto: Ameaças de demissão e ações do MTE e OAB contra retaliações.

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