Professor condenado por morte de adolescente é afastado
Ex-delegado condenado por homicídio de adolescente atua como professor. Confira os desdobramentos e investigação em andamento.
O ex-delegado da Polícia Civil, Geraldo do Amaral Toledo Neto, condenado pelo homicídio da adolescente Amanda Linhares Santos, atua como professor da rede estadual de Minas Gerais desde 2021. Após uma trajetória de ingresso temporário, Geraldo se tornou professor efetivo em setembro de 2024, após ser aprovado em um concurso público. Atualmente, sua contratação está vinculada à Escola Estadual Mendes de Oliveira, localizada em Congonhal, no Sul de Minas. Contudo, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) determinou a abertura de um processo administrativo para investigar irregularidades na documentação apresentada para que Geraldo assumisse o cargo.
A SEE-MG optou por afastá-lo de suas atividades enquanto a apuração está em curso. De acordo com os registros do Portal da Transparência, o ex-delegado é classificado como servidor ativo, com carga horária de 16 horas semanais. Sua remuneração bruta é de R$ 4.104,68, resultando em um salário líquido de R$ 3.756,09.
O crime e a condenação
Em 2015, Geraldo do Amaral Toledo Neto foi condenado a 18 anos e 9 meses de prisão pela morte de Amanda Linhares Santos, que aconteceu em 2013. O crime, que chocou a sociedade, envolveu um disparo de arma de fogo na cabeça de Amanda, após uma discussão entre os dois. Informações da Justiça revelaram que ele está em livramento condicional e sob monitoramento eletrônico desde 8 de setembro deste ano. Até então, ele tinha cumprido 17 anos, 2 meses e 14 dias de pena.
A investigação revelou que Geraldo possui apenas duas passagens pelo sistema prisional: a primeira de 17 de outubro de 2013 a 3 de janeiro de 2014 e a segunda, mais recente, de 9 a 12 de setembro de 2026. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) foi questionado sobre os períodos em que a pena foi cumprida, no entanto, não houve retorno sobre a solicitação de informações.
Relembre o caso de Amanda Linhares Santos
Amanda linhas Santos foi baleada na cabeça em 14 de abril de 2013, após um desentendimento em um veículo entre ela e Geraldo, o que ocorreu na estrada entre Ouro Preto e o distrito de Lavras Novas. Amada e Geraldo mantinham um relacionamento. Uma das testemunhas que presenciou a discussão informou à polícia que viu o casal em conflito momentos antes do disparo. Após a ocorrência, uma ambulância levou a jovem a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ouro Preto, mas o motorista que a acompanhou não se identificou, alegando que Amanda tentara cometer suicídio.
Subsequentemente, Amanda foi transferida em estado gravíssimo para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde passou por uma cirurgia e ficou internada por cerca de 50 dias. Em abril de 2013, as investigações da Polícia Civil divulgaram o resultado de um exame residuográfico que descartou a hipótese de que o disparo tivesse sido efetuado pela própria vítima. Infelizmente, Amanda não sobreviveu e faleceu em 3 de junho de 2013. Após a sua morte, Geraldo foi indiciado por homicídio.
O Ministério Público de Minas Gerais fez a denúncia contra ele por homicídio duplamente qualificado, que envolvia motivo torpe e dissimulação, além de fraude processual. Em maio de 2014, um júri popular foi determinado pela Justiça, e o julgamento se iniciou em 1º de dezembro de 2015 em Ouro Preto, culminando na condenação de Geraldo por homicídio duplamente qualificado e fraude processual, três dias após o início do julgamento.
Demissão da Polícia Civil
O ex-delegado foi demitido da Polícia Civil de Minas Gerais em outubro de 2013. Segundo o processo administrativo que resultou em sua exoneração, a medida não teve relação direta com o assassinato de Amanda. As investigações administrativas apuraram irregularidades no registro e licenciamento de motocicletas com motores e chassis adulterados, que ocorreram entre 2005 e 2007. O pedido de demissão foi solicitado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil em 12 de outubro de 2013, e a exoneração foi publicada quatro dias após o pedido.
Consequências e o futuro
A atuação de Geraldo como professor efetivo, após sua condenação e as circunstâncias do crime, gerou polêmica e repercussão na sociedade e na comunidade escolar. O afastamento, por parte da Secretaria de Educação, visa não apenas apurar as irregularidades em sua contratação, mas também avaliar o impacto causado por sua presença no ambiente educacional, onde a confiança da comunidade nos educadores é essencial.
Com a abertura do processo administrativo e a investigação em curso, o futuro de Geraldo no sistema educacional deverá ser reavaliado, levando em conta tanto os aspectos jurídicos quanto sociais envolvidos em sua história. Esse caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle sobre as contratações no setor público e a necessidade de uma revisão criteriosa dos parâmetros de seleção de servidores, especialmente em áreas tão sensíveis como a educação.
Resumo
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- Fato: Ex-delegado condenado por homicídio atua como professor e é afastado.
- Onde: Escola Estadual Mendes de Oliveira, Congonhal – MG.
- Impacto: Investigação levanta questões sobre a contratação de servidores na educação.
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